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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Palestra na Academia Cearense de Letras (ACL)

palestrAShow

“AS” BOTA MEMÓRIA NA
CABEÇA DOS ACADÊMICOS

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O poeta, ator e instrutor ipuense, acadêmico Airton Soares (AS), em reunião da Diretoria da AILCA – Academia Ipuense se Letras, Ciências e Artes – presidida pelo acadêmico Manuel Evander Uchôa Lopes, proferiu palestra subordinada ao tema: COMO MEMORIZAR COM CRIATIVIDADE. Na preleção, realizada na sede da Academia Cearense de Letras (ACL), sábado (12), o AS fez um resumo do seu Curso de Memorização, usando a metodologia do ABC - Aprendendo Brincando a gente Cresce. Nela, ele foi falando das técnicas de memorização, mostrando na prática como utilizar a memória de maneira criativa.


Teatralmente, o ator Airton Soares fez a introdução da palestra representando um “padre professor.” Ele entrou em silêncio e retirou um jaleco branco que cobria a DEM (Deusa - Espantalho da Memória?) e falou: ”Por favor, todos de pé.” Deu bom dia e perguntou aos decorantes e decorandas: “Aceitam de livre e espontânea vontade contrair matrimônio com a DEM?” “Aceitamos, sim!” Responderam todos. Então, acrescentou o padre professor: “Vocês estão dispostos e decididos a receberem no fundo do coração todas as suas filhas: memória imediata, memória de curso prazo, memória de longo prazo, memória episódica, autobiográfica, etc?” Todos afirmaram: “Estamos, sim!”

Sem falar, ele mostrou os objetos que foi tirando do DEM – bule, caju, forma de gelo, mosca, penico, taça, entre outros – e representando alguém da plateia o personagem exclamou: “Jesus! Não acredito no que eu estou vendo. Será que este palestrante é doido ou será que ele está só se fazendo?” E continuou: “Mas... É preciso que se entenda, isto num tem nada a ver com memorização. Esse professor ta aqui por encomenda. Isto é uma tremenda da gozação... Vou chamar o Airton Soares para resolver esta situação...!”

A PALESTRA
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O acadêmico Airton Soares começou a conversa, realmente, explicando a sigla “SIM” – M de motivo, I de interesse e S de sentido – e definindo memorização disse que “memória é a aquisição, formação, conservação e recuperação de informações”.

Sobre criatividade, o AS disse ser a “capacidade de inventar, fazendo o diferente.” Citando Fayga Ostrower, ele acrescentou que a “criatividade é um potencial inerente ao ser humano, por isso que é comum a toda gente,” adicionando que o propósito da criatividade é “solucionar problema, gerar oportunidade,” e que “a criatividade é um potencial próprio da condição de ser humano e a realização desse potencial uma de suas necessidades.”

Falando sobre a memória biológica e a memória artificial, o palestrante disse que “estamos sendo engolidos (ninguém quer mais pensar) pela memória artificial”. Prosseguindo, citou Mino (nosso cartunista): “Quem me vê calado assim pensando / não pode sequer imaginar / a vida que levo meditando / nas razões que procuro encontrar / e dirão, certamente - é um vagabundo / mas não sabem que o pensamento profundo é o campo em que estou a trabalhar.”

Reforçando este bloco, Airton Soares cantou, com a plateia, trechos da música FELICIDADE, de Lupcínio Rodrigues. “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar”. (Gancho da música: ENFATIZA A IMPORTÂNCIA DA FANTASIA E DA IMAGINAÇÃO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM)

Para o ator e acadêmico Airton Soares eis as técnicas de memorização: “repetição, imagens mentais, técnicas dos espaços, palavras – chaves, siglário, números, rimas, etimologia.” Explicando passo a passo suas dificuldades em memorizar a poesia, diz a técnica utilizada para solucionar o problema, poetizando “Aula de Português,” de Drummond. Ao término da palestra, os participantes – em clima de total descontração - teceram comentários sobre a palestrAShow, do acadêmico Airton Pereira Soares.

O CURSO
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Convém esclarecer que o Curso de Memorização, ministrado pelo palestrante Airton Soares, com cerca de oito horas de duração, tem o objetivo de “propiciar ao treinando a descoberta do seu plano pessoal de estudo e de como aumentar e melhorar a retenção e resgate de informações importantes para utilização em cursos, palestras, provas de concursos, através da criatividade e de técnicas de memorização”, segundo ele.

As aulas do curso são participativas, apoiadas em “fundamentação conceitual, com trabalho em grupo, leitura e discussão de textos, estudo do conteúdo de filmes, dramatização e vivência de situações e jogos", esclareceu.

ETHICE REVERENTIA DIGNITAS
( Ética – Respeito – Dignidade )



jpMourão
(João Pereira Mourão)
Informação, opinião, aplauso, combate.


QUE O IPU (de hoje) SALVE O IPÚ! (de ontem

sábado, 10 de novembro de 2007

Empresas e Humanidades: A Parceria do Conhecimento

Por Paulo Gustavo
Publicado em 04.11.2007 - Edição 474

Matéria da Folha de S.Paulo publicada em 23 de setembro deste ano informa que grandes empresas estão investindo em cursos de capacitação para seus profissionais, só que, dessa vez, em áreas do universo cultural e, mais especificamente, das chamadas Humanidades. São cursos de Teatro, Filosofia, Música, Mitologia Grega..., que, para surpresa de muitos, estão temperando o cardápio das ações de Recursos Humanos.

Subestimadas por uma estreita e pragmática visão de mundo, as Humanidades no Brasil parece que começam a dar a volta por cima, ainda que de forma episódica, pontual e utilitarista. Gestores e profissionais principiam a se dar conta de que o Humano nas empresas não deve se limitar à gestão de pessoas ou a palestras motivacionais. Num país em que os horizontes dos executivos ainda são, em sua maioria, culturalmente curtos — de resto, uma característica socioeducacional do próprio povo —, a notícia pode parecer estranha. Na verdade, tal investimento profissional atrela-se às exigências de uma sociedade globalizada em que o conhecimento é uma poderosa ferramenta de trabalho.


Essa parceria amplia a produtividade, proporciona um melhor trabalho em equipe e desempenho social e humano dos profissionais, que, assim, ganham olhos para a transversalidade, a interdisciplinaridade e um contexto mais amplo, passando a enxergar melhor além das fronteiras de cada um.

O que ainda engatinha no Brasil já de há muito caminha com desenvoltura nos países desenvolvidos, onde não é incomum que os executivos tenham formação em áreas tão distintas quanto Filosofia e Finanças, História e Psicologia. Dispensável dizer o quanto uma formação múltipla frutifica resultados e uma antenada visão de mundo.


Conhecimentos, idéias e metáforas, ao migrarem de um campo para outro, enriquecem o pensamento e melhoram o desempenho, geralmente e cada vez mais, um desempenho multifuncional e, lato sensu, multicultural, que não se esgota, pela própria dinâmica em que prospera, em áreas específicas de atuação.

O universo das Humanidades e das Artes, apesar de visto com um viés dicotômico que o opõe às atividades mais pragmáticas, não é um pólo contraditório a qualquer prática profissional, tampouco às práticas gerenciais e funcionais das diversas áreas. Ao perceberem formas, subjetividades, discursos, mitos, contrastes, polifonias, com a abertura para o novo e a criatividade, as Humanidades têm muito a dizer a quem precisa lidar com um mundo em que a estética e a inovação — como já foi observado — se inserem como constituintes, em que humanos e objetos se confundem em novos e insuspeitados arranjos, em que, para lembrar Edgar Morin, a complexidade é inevitável.


Em seu conhecido profetismo, McLuhan, há mais de quarenta anos, já nos avisara de que as velhas dicotomias haviam chegado ao fim. Para ele, a era eletrônica, precursora da digital, traria a descompartimentação que, hoje, de fato, testemunhamos. Para o teórico canadense, “As grandes empresas não podem viver nos dias de hoje sem um senso altamente desenvolvido das artes. Elas são os sinais de alarme.

Todos os sinais de alarme do novo mundo estão presentes nas artes muito tempo antes que os rapazes do hardware os percebam. E assim as artes servem para fins de sobrevivência, fins de navegação, e, como tais, são indispensáveis mesmo nos níveis mais caseiros e humildes”. Os especialismos, sem uma boa dose de generalismo, não são mais que pontos desarticulados que conspiram impotentemente contra o caráter em rede da sociedade informacional e do conhecimento. Ver a floresta tornou-se, mais do que nunca, tão essencial quanto ver a árvore.

Assim, a, para muitos, “cultura inútil” das Humanidades vai reconquistando (se é que se pode falar aqui de reconquista) um lugar que se impõe, malgrado a visão utilitarista, no desenho de um novo paradigma. Não é por acaso, por exemplo, que vários gurus da gestão têm ido a Platão e a Shakespeare e que importantes executivos do Primeiro Mundo não abrem mão de ler o melhor da literatura universal. Dessa forma, poetas, músicos, historiadores, filósofos e artistas em geral começam a ser “ouvidos”, “corrigindo” a observação de Wittgenstein, nos meados do século 20, segundo a qual não ocorre ao homem contemporâneo que músicos e poetas tenham de fato algo a lhe ensinar, apenas algo para diverti-lo. Bom, parece que empresas inovadoras e de excelência vêm tentando corrigir o comentário do filósofo. A competitividade agradece, as Humanidades também.


Fonte: http://www.desafio21.com.br/